terça-feira, 24 de novembro de 2009

A subida vale a queda ?

Hoje no intervalo entre terminar um trabalho da faculdade e dormir quatro horas pra poder terminar outro, perdi meia hora de sono, escutando um album do Willie Nelson e uma música em questão me chamou bastante atenção. Resolvi até postá-la aqui (em forma de uma singela tradução que fiz com a ajuda do Linguoes pros que não são afortunados da fluência britânica). Ouçam, vale a pena:



Desbravador: Capítulo 33 - Willie Nelson

Veja-o perdido na calçada, com a sua jaqueta e o seu jeans
Vestindo os infortúnios do ontem em forma de sorriso
Já teve um futuro cheio de dinheiro,amor e sonhos
que passaram como se já estivessem fora de moda
E ele sempre está mudando, para o melhor ou o pior.
E procurando um reduto em que ele nunca seja encontrado
Sem saber se acreditar é uma dádiva ou uma maldição.
E se subir vale a queda.

Ele é um poeta, ele é um músico, ele é um profeta e um ambicioso
Ele é um desbravador e um missionário, e um problema quando ele é apedrejado
Ele é uma contradição ambulante, parte verdade, parte ficção
Tomando todos os caminhos errados em sua volta solitária pra casa

Ele provou o bem e o mal em seus quartos e seus bares
trocando o amanhã pelo hoje.
Correndo dos demônios, Senhor, tentando alcançar as estrelas
E perdendo tudo o que amava no caminho.
Mas se esse mundo continuar girando pra melhor ou pra pior
a única coisa que ele conseguirá é ficar mais e mais velho.
E do balanço do berço ao balanço do carro funerário
A subida valerá a queda.

Ele é um poeta, ele é um músico, ele é um profeta e um ambicioso
Ele é um desbravador e um missionário, e um problema quando ele é apedrejado
Ele é uma contradição ambulante, parte verdade, parte ficção
Tomando todos os caminhos errados em sua volta solitária pra casa


Paz e Luz
E que a subida valha a queda pra todos nós.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Caricatura da Vida

Aconteceu essa semana ... segunda-feira eu acho.
Numa das muitas voltas pra casa, à noite, me deparei com uma cena bem marcante apesar da simplicidade que ela parecia apresentar inicialmente. Estava eu sentado no ônibus, no último ônibus da noite voltando de mais um dia tedioso e vazio na faculdade. Ocupava um dos lugares que ficavam na parte superior do ônibus, sendo assim conseguia ver quase tudo o que se passava na parte mais baixa. Antes mesmo do ônibus partir do ponto inicial, reparei com atenção secreta um senhor que entrava pela porta da frente. Era uma perfeita caricatura de um velho, dessas que a gente vê nos teatros de baixo orçamento e nos desenhos animados de gosto duvidoso. Usava uma boina xadrez, uma camisa amarelada meticulosamente abotoada por baixo do suéter cinza de lã. Um óculos se equilibrava em cima do seu nariz magro e irregular, que lembrava a forma de suas costas que o tempo parecia ter dobrado contra a vontade de seu dono.
Entrou carregando um jornal dobrado debaixo do braço, suas calças largas é que pareciam se movimentar e não ele. Se encostou no canto reservado àos cadeirantes, naquelas almofadinhas que são fixadas à parede do ônibus. Parecia ter diversos toc's e sua face se remexia de tempo em tempo, sempre olhando pra baixo,seguindo o fluxo do seu queixo em forma de seta.
Parei por um momento a reparar nele e aquilo realmente me assustou... pensei que eu poderia estar dentro de alguma peça de teatro intinerante ou alguma pegadinha do João Kléber... mas era pura realidade. Ele era a personificação de uma caricatura e nem ao menos parecia ter consciência disso. Tinha muitos assuntos pra pensar por trás de seus óculos amarelados para perder tempo com pensamentos como esse. Contava em segredo qualquer coisa a qualquer pessoa que só ele parecia ver.

Mais do que pensar nele, acho que pensei em mim mesmo e o quanto falta pra eu me tornar um etereótipo ambulante. E isso me tirou o sono naquela noite. Sério.


Paz e Luz
E que eu mude a vida.